ComporLab

Equipe colaborativa promove melhoria na qualidade de vida de pacientes

Pesquisas científicas são elementos fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população, afinal, através delas, surgem informações sobre o impacto que algumas doenças, condições e tratamentos podem ter sobre um indivíduo. Esse é um dos objetivos do COMPORLab – o Laboratório de Composição Corporal, implementado com o apoio do INCT Hormona, e que funciona no Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

O espaço é um laboratório completo, ativo e de colaboração entre diferentes equipes, que permite determinar quais aspectos da composição corporal e variáveis podem influenciar a vida de determinados grupos. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), o climatério e a incongruência de gênero são algumas linhas de pesquisa desenvolvidas pelo grupo.

No local, segundo a pesquisadora e co-responsável da unidade, Dra. Tayane Muniz Fighera, o grupo também atua com mulheres na pós-menopausa, avaliando o impacto das alterações hormonais nessa fase da vida. “Através do equipamento de densitometria óssea, quantificamos a massa óssea e avaliamos o impacto da terapia de reposição hormonal sobre a saúde óssea”, comenta.

De acordo com a médica, a equipe realiza a avaliação das diferentes áreas do corpo, incluindo gordura, massa muscular e massa óssea. “Fazemos também a análise de calorimetria, para avaliar a taxa metabólica em repouso de cada indivíduo, bem como avaliações clínicas e nutricionais e testes de desempenho físico”, explica. “Isso tudo nos permite avaliar a resposta destes parâmetros em algumas condições hormonais específicas, como o climatério, a SOP e a incongruência de gênero”, completa.

A Dra. Tayane explica que o COMPORLab tem importância fundamental no desenvolvimento e promoção da saúde. “O resultado das nossas pesquisas servem como base científica para a construção de condutas e estratégias públicas de saúde”, finaliza.

Implantes de silicone líquido em mulheres trans

Em uma das pesquisas, realizadas no Laboratório, o grupo avaliou os efeitos do uso de silicone líquido industrial, na região glútea, sobre a densidade óssea de mulheres trans, recebendo terapia estrogênica. Foram selecionadas 46 pacientes com e sem injeção de silicone na região glútea. Todas foram submetidas à avaliação clínica, hormonal e densitometria óssea.

Segundo a Dra. Tayane, mulheres transgênero, com silicone industrial apresentaram maior densidade mineral óssea no quadril, em comparação com as que não apresentavam o implante. Nenhuma diferença foi observada em outros locais. “Este achado, provavelmente, representa um “falso” aumento da densidade óssea, ocasionado pela presença da prótese glútea, um artefato entre o paciente e o equipamento.

Estes resultados sugerem que, nestas pacientes, o quadril não é um sítio confiável para avaliação da massa óssea e do risco de osteoporose”, finaliza. Os resultados deste trabalho foram publicados em setembro em Arch Osteoporosis.

Vale lembrar que a utilização de silicone industrial não é aprovada por conselhos e sociedades médicas, mas algumas mulheres trans realizam o procedimento sem prescrição com profissionais não médicos. O INCT não aprova o uso, mas, quando recebe casos deste tipo, segue o protocolo de atenção médica e realiza as avaliações.

Metformina e Osteoporose

A associação entre o uso da metformina e o risco de osteoporose foi avaliada pelos pesquisadores do ComporLab. A explicação para esta associação seria que o medicamento, usado no tratamento do diabetes tipo 2, poderia diminuir a senescência celular, influenciando positivamente as células ósseas.

O grupo participou de um estudo colaborativo internacional, realizado com 1.259 mulheres de diferentes países da América Latina. Todas as pacientes apresentavam idade acima de 40 anos, não faziam uso de medicamentos para osteoporose e estavam em uso de metformina. “Após a análise, o estudo mostrou que o uso de metformina, independentemente da presença de diabetes tipo 2 ou obesidade, foi associado a um menor risco de osteoporose em mulheres adultas”, finaliza. Os dados deste estudo estão disponíveis no artigo científico publicado em maio deste ano.

Caquexia em pacientes com artrite reumatóide

A prevalência da caquexia em pacientes com artrite reumatóide também foi objeto de um estudo com a participação dos pesquisadores do ComporLab. Dra. Tayane relatou que foram recrutados 90 pacientes para este estudo, com duração de 12 meses. “Existem dados limitados sobre a prevalência e fatores associados à progressão da caquexia, em pacientes com diagnóstico de artrite reumatóide. Este trabalho tinha como objetivo determinar a prevalência de caquexia e suas associações com potenciais fatores clínicos”, explica a especialista.

No período, foram realizadas avaliação clínica, composição corporal e desempenho físico. Os especialistas concluíram que, na coorte, a caquexia reumatoide foi um achado comum. “A atividade da doença e uso de terapias biológicas foram associados a mudanças na composição corporal e desempenho físico, ressaltando a importância de se buscar a remissão clínica ao tratar artrite reumatoide”, finaliza Dra. Tayane. O trabalho fez parte da tese de doutorado de Rafaela Espirito Santo, orientada pelo Prof. Ricardo Xavier e foi recentemente publicado.